Este blog pretende abordar a comunicação no sentido amplo. Não vai tratar de propaganda – prometo! – apesar de ser esta minha profissão. A intenção raras vezes será polemizar, ao contrário: o objetivo será levar o leitor a uma reflexão mais profunda sobre a mídia e a comunicação dos próximos, digamos, 10 anos. Um pensar com os olhos no futuro e os pés no presente imediato: e-mail, blogging, microblogging, redes sociais e outras quebras de paradigmas formam as bases para discutirmos a comunicação, seus meios e suas formas para um futuro próximo.

 

Adeus, zapping. Bem vindo, Youtube.

Uma expressão que você já conhece – o zapping, que consiste em manter-se a mudar de canal continuamente até encontrar um programa de seu interesse – está com os dias contados. Da mesma forma, as tradicionais discussões entre marido e mulher para ver quem fica com o controle remoto e o olho grudado no relógio para ver a que hora começa sua série preferida.

Sim, a programação sob demanda já está ao alcance de nossas mãos. Mais especificamente ao alcance do dedo indicador, que clica o mouse. O Youtube, que surgiu como uma ferramenta para compartilhamento de vídeo, é um dos sites mais acessados no mundo.

Em julho de 2008, segundo
http://www1.folha.uol.com.br/folha/informatica/ult124u443647.shtml, apenas nos EUA o Youtube teve 5 milhões de acessos, correspondendo a nada menos de 44% do mercado de vídeo on-demand.

Notícias mais recentes dão conta de que o site está em negociações com produtoras como Sony, Warner Bros e Lions Gate Entertainment para exibição de filmes, diz
http://tvnet.sapo.pt/noticias/video_detalhes.php?id=48058. A um custo de U$ 3,99 por filme, com lançamento simultâneo ao DVD.

O fato é que buscar entretenimento audiovisual tornou-se uma prática de nosso dia-a-dia. Busque em sua memória as vezes em que acessou o Youtube recentemente e você confirmará isto.

Um hábito novo que traz mudanças comportamentais: o assistir TV passa a ser uma experiência individual e não mais coletiva. A TV passa estar a nossa disposição, e não mais ficamos à disposição da grade de programação que ela oferece.

Este é um movimento que tende a crescer. Serviços especializados de IPTV, ou seja, TV via protocolo IP, prometem oferecer conteúdos cada vez mais diversificados. Emissoras de TV como Fox já se adequaram e passaram a oferecer suas séries nos sites, para você assistir na hora que quiser. Uma tendência irreversível, que põe o controle da programação em suas mãos. Mais especificamente ao alcance do dedo indicador.

Adeus, zapping. Olá, clicking.

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O Big Brother existe: é você.

MDOH. Mais uma sigla para complicar sua vida? Pelo contrário. MDOH significa Mídia Digital Out of Home. Uma nova categoria da comunicação que você ainda nem sabia que existia, mas que já está presente em sua vida.

No aeroporto, no terminal de ônibus, no supermercado, você recebe conteúdo especialmente gerado através de telas de LCD. Isto é MDOH. Um meio que une a mídia digital aos formatos tradicionais e substitui gradualmente a publicidade em espaços públicos, cada vez mais restrita nas cidades brasileiras. Uma nova forma de comunicação que tende a se tornar onipresente.

As possibilidades de brand experience são inéditas e o que tem sido feito é apenas o começo: o futuro aponta para a direção do conteúdo interativo, onde o consumidor poderá escolher a programação que quer assistir em seus períodos fora de casa. No celular, no restaurante, na fila do cinema, no táxi, o big brother passa a ser cada cidadão, que poderá ver o mundo na forma e na medida que quer, onde quiser. Imagine o que isto significa em termos de relacionamento de marca. Locais onde há grande tempo de espera, como maternidades e aeroportos, já contam com programação própria, remunerada pela publicidade.

O mercado de MDOH só tende a crescer. Por conta da mídia out-of-home, a participação da mídia exterior, que dava sinais de extinção, aumentou de 2,4 para 2,9% em um ano, em um crescimento que só perde para o da internet. O faturamento bruto aumentou em 3,8%. Luiz Roberto Valente, diretor do Sindicato das Empresas de Publicidade Exterior de São Paulo, diz que a MDOH deve aumentar seu share dos atuais 12 para 20% brevemente, em relação ao total de mídia exterior.

Pesquisa Ipsos Marplan na Grande SP, em 2008, mostra que 67% dos entrevistados lembravam de ter visto alguma programação em MDOH, o que mostra que os grandes centros já tornaram esta alternativa em realidade.

Técnicas como Display Show exibem comerciais de um determinado produto no PDV, quando o consumidor para em frente a uma imagem deste produto. A Globo prepara-se para distribuir seu conteúdo em 300 ônibus em São Paulo, com programação legendada. Empresas especializadas geram conteúdo para ônibus sem áudio, sem breaks (os comerciais são distribuídos ao longo da programação) e com loop de uma hora. Ao mesmo tempo, o aumento do número de cidades que restringem a publicidade ao ar livre é crescente. Adeus, outdoor. Bem vinda, MDOH. Meu amigo, o verdadeiro big brother é você.

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Online é diferente de oncredibility. Or not.

Fernando Canzian, repórter especial da Folha, é dono de um texto que beira a perfeição jornalística, ao ponto de conseguir, sob o guarda-chuvas de um tema, discorrer com brilhantismo sobre outros. É o caso do artigo que sugiro a leitura e a reflexão: “Jornais em crise? Ande de avião”, publicado em maio
(http://www1.folha.uol.com.br/folha/pensata/fernandocanzian/ult1470u567548.shtml).

O jornalista comenta o caso da queda de um avião em 12 de fevereiro em Buffalo, que foi alvo de profunda investigação dos periódicos “The New York Times” e o “The Wall Street Journal”. Em reportagens investigativas, os jornais denunciaram o excesso de trabalho, a remuneração aviltante e os fracos critérios de seleção de equipes de vôo nos EUA, que põe em risco a vida de seus usuários de modo irresponsável. Podemos imaginar que o mesmo ocorre no Brasil. Mas este não é o objeto desta postagem.

À esteira desta discussão, Canzian traz o assunto sobre o qual realmente pretendo me debruçar: a credibilidade dos jornais sérios, mesmo em suas edições online, versus a falta de credibilidade de grande parte do conteúdo disponível na internet.

O esforço por trás da informação de qualidade, que nos é fornecida por estes veículos, é abordado pelo articulista, que comenta sobre a crise por que passam os jornais impressos. E sobre como o Congresso Americano, sob a forma do Newspaper Preservaction Act, luta para que o meio jornal consiga manter-se lucrativo em tempos nos quais a informação está ao alcance de seus dedos. Mas especificamente, ao alcance do indicador, que clica no mouse.

Blogs, microblogs, wikis, de uma forma geral, disponibilizam farto conteúdo. Uma googlada (já virou até verbo) traz milhares de páginas sobre qualquer assunto que se queira conhecer. Mas mesmo com toda a informação disponível, o que se verifica nos EUA é o crescimento dos acessos a sites de jornais, mesmo que tenham conteúdo pago. Os jornais conquistam o leitor por disponibilizar não apenas informação, mas informação de qualidade. Resultado de um jornalismo investigativo, que tem sob seus auspícios milhares de jornalistas dispostos a chegar ao fundo dos assuntos, de nutrir a sociedade com informação pesquisada, verificada, de alta credibilidade. Resultado da manutenção de uma equipe de jornalistas competentes, qualificados, que consome recursos para muito além daqueles que a internet tem demonstrado ser capaz de fornecer. Falta aos veículos digitais a densidade econômica de uma operação sólida, calcada no tripé publicidade + assinaturas + venda de exemplares.

Portanto, posso antever que o futuro trará não a morte do jornal, mas sua reinvenção. Como vai ficar? Não sei, mas estarei atento! Por via das dúvidas, não custa ler “NY Times dura pelo menos até 2012”, na revista M&M de 06/julho/2009, que você pode baixar neste em http://200.198.118.131/clipping/Arquivo/2009/Julho/19692.pdf

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