Este blog pretende abordar a comunicação no sentido amplo. Não vai tratar de propaganda – prometo! – apesar de ser esta minha profissão. A intenção raras vezes será polemizar, ao contrário: o objetivo será levar o leitor a uma reflexão mais profunda sobre a mídia e a comunicação dos próximos, digamos, 10 anos. Um pensar com os olhos no futuro e os pés no presente imediato: e-mail, blogging, microblogging, redes sociais e outras quebras de paradigmas formam as bases para discutirmos a comunicação, seus meios e suas formas para um futuro próximo.

 

Quem investe em algo que se anuncia como próximo do fim?

A edição do Meio & Mensagem de 26 de outubro destaca vários investimentos importantes no meio jornal: o lançamento de um novo título, Brasil Econômico, pelo grupo português Ongoing; a compra do Diário de São Paulo pela Rede Bom Dia; a ampliação dos parques gráficos do Grupo RBS no Rio Grande do Sul e da RPC no Paraná; a ampliação da distribuição do gratuito Metro para o ABC Paulista, entre os principais.

Fosse apenas um caso isolado, poderia se dizer que há um erro de gestão, uma falha de julgamento ou uma obstinação. Mas o que se vê é um movimento de recursos para o fortalecimento do meio jornal proveniente de várias fontes e, além disto, de fontes que demonstram capacidade de visão e gestão comprovada ao longo de décadas.

Tenho falado aqui sobre o jornal em tempos de internet e reafirmo meu prognóstico de que o jornal permanecerá, mesmo após a consolidação e popularização deste novo meio. O que se lê acima corrobora esta visão.

Na mesma edição, Alexandre Zaghi Lemos traz reportagem intitulada “Jornal ainda é o coração da informação”, onde constrói uma interessante abordagem: mesmo que a rentabilidade do meio já tenha passado por dias melhores, a manutenção de títulos de jornais impressos é um pilar de credibilidade, transferível para outros meios, que apoia o negócio da comunicação como um todo. Ele cita Geraldo Leite, sócio-diretor da Singular Arquitetura de Mídia, que afirma: “a mídia impressa é o coração da informação”.

Para o jornalista Matias Molina, citado na mesma reportagem, a queda de circulação é o reflexo de um crescimento forçado nos anos 90, de maneira artificial, com “anabolizantes” (sic) caros. A crise impediu a manutenção do uso destas táticas artificiais, o que “explica parcialmente o declínio da circulação”.

Mas há fatos novos significativos, aponta o entrevistado, como o lançamento de jornais gratuitos e semigratuitos (até R$ 1,00 o exemplar) que atingem a camadas da população até então desconsideradas.

Fico feliz em perceber que minha aposta não é vã, e reforço meu prognóstico: assim como a TV não roubou o espaço do cinema, a internet não será a pedra na lápide do jornal impresso.

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A grande campeã das Olimpíadas pode ser sua marca.

O Brasil vive um momento único de investimentos e planejamento a longo prazo. Teremos uma Copa do Mundo em 2014 e, apenas dois anos depois, sediaremos de forma pioneira na América Latina uma olimpíada.

É um momento de olhar para a frente, projetar o caminho e principalmente começar a caminhar. O cenário é mais do que positivo, com os investimentos que serão feitos para estes dois eventos, que trarão um grande impulso à economia como um todo.

É a ocasião ideal para um planejamento de marca de longo prazo, especialmente se você já sabe o rumo que quer dar à sua marca. Estratégias a perder de vista, com táticas aplicadas a prestação, para que você possa fazer eventuais correções de rumo.

Cabe também considerar a rápida evolução que vimos observando na mídia, em velocidade ainda crescente. Internet móvel, rápida e de amplo acesso exige investimentos bem programados nesta área, considerando inclusive que o seu público será multiplataforma, com acesso através não só de computadores, mas de celulares, pads e outros dispositivos.

Meios cada vez mais rápidos e interativos, que deixarão o Twitter com cara de peça de museu. Broadcast cada vez mais pessoal e acessível, praticado por todos os sites e não apenas pelo Youtube.

Conteúdo cada vez mais será fundamental para criar mais pontos de contato com o público e conquistar suas visitas periódicas. Isto em um mundo onde on e off line serão conceitos ultrapassados.

Considerando estas mudanças e o cenário com que contamos hoje, estou certo de que sua marca merece um planejamento de longo prazo. Talvez o primeiro de sua história, em um país tão acostumado a planejar a curto prazo como o nosso. Eu torço para que você consiga uma medalha de ouro, com sua marca e muito esforço.

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Sua biblioteca vai virar papel digital.

Milhões de minúsculas esferas. Metade pretas, metade brancas. Todas polarizadas, de modo que, submetidas à carga magnética adequada, criam, uma ao lado da outra, tons que vão do branco total ao preto absoluto, passando pelas mais sutis nuances de cinza. Este é o papel digital, base do tão comentado Kindle e diversos outros devices chamados de livros eletrônicos. A forma mais confortável de ler em meio eletrônico, com reflexão de luz como no papel tradicional, sem oscilações de frequência nem emissão de luz que cansam os olhos, como ocorre no monitor onde você me lê neste exato momento.

O funcionamento é simples: sinal wi-fi, que descarrega arquivos digitais contendo livros, jornais ou revistas completos; armazenados em memória flash e acionados por botões de comando simples e intuitivos, que permitem “virar” páginas, abrir e fechar arquivos de livros e memorizar a página onde você estava, como um marcador de páginas virtual. O Kindle, por exemplo, baixa o acervo da Amazon, por custos bem menores que os de compra de um livro físico.

Já é um sucesso. O grupo de pesquisa de tecnologia Forrester antecipa que cerca de três milhões de leitores eletrônicos sejam vendidos este ano nos Estados Unidos, ante uma base anterior de cerca de um milhão, com a ajuda de preços mais baixos, mais conteúdo e uma melhor distribuição, segundo o G1.

Um único device, toda uma biblioteca. E mais: revistas, informativos, jornais. O Globo, de forma pioneira, já está disponível para os usuários do Kindle, através da loja virtual Amazon. Outros virão rapidamente. Da mesma forma que outros meios de provimento e fabricantes de hardware.
O Google, talvez a maior empresa mundial do ramo hoje, anunciou na semana passada o lançamento do Google Edition para o primeiro semestre do ano que vem, oferecendo inicialmente cerca de meio milhão de livros, em parceria com editoras que já cooperam com a empresa e já licenciaram a ela seus direitos digitais.

Empresas como Fujitsu, Asus, Apple e outros fabricantes de hardware antecipam seus próprios livros eletrônicos em papel digital. A própria Barnes & Nobles, concorrente da Amazon, anuncia seu hardware com o mesmo objetivo do Kindle.

Sua biblioteca em breve vai fazer companhia a sua coleção de LPs, suas fitas VHS e seus negativos fotográficos. Objetos que você guarda com carinho. Mas não usa, em virtude da praticidade com que a tecnologia nos brinda.

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Digit-all places.

Lembro, como você, que no início deste século as pessoas sentavam-se ao redor do rádio, que ocupava espaço privilegiado na sala de estar, a ouvirem música, informarem-se dos acontecimentos (muitas vezes com dias e mesmo semanas de atraso). Lembro também que este espaço foi logo ocupado por aparelhos de televisão que eram montados em móveis pesados, de madeira, muitas vezes com uma eletrola ao lado, e demoravam um bom tempo até que as válvulas aquecessem o suficiente para mostrar a imagem em preto-e-branco.

Isto parece fazer parte de um passado muito remoto, mas foi apenas em 3 de abril de 1950, quando muitos de nós já éramos nascidos e alguns até mesmo crescidos, que pela primeira vez a imagem da TV Tupi entrou em um lar brasileiro. De lá para cá, os televisores transistorizaram-se, miniaturizaram-se e, em consequência, popularizaram-se.

Imagine a quebra de paradigma que foi passar a ter um rádio que mostrava imagens! Que permitiu ver, entre outras coisas, os primeiros passos do homem na Lua, a guerra fria, a morte de Kennedy, a primeira eleição direta após 21 anos de ditadura, apenas para citar alguns momentos importantes que testemunhamos, bem instalados no sofá de casa.

Agora, com a TV Digital, estamos às portas de uma nova quebra de tecnologia. A experiência de ver TV nunca mais será a mesma. A sala de estar está liberada para outros fins: a TV agora está no seu bolso, no celular, no banheiro, na cozinha, no ônibus. Assistir TV passa a ser uma atividade cada vez mais individual e onipresente em seu dia-a-dia. Melhor dizendo, um atividade também mais individual, pois a telona de LCD trará para esta sala quase a mesma sensação de estarmos num cinema.

A interatividade, tão apregoada, não creio que virá. Além das limitações tecnológicas – os televisores digitais ainda serão aparelhos one-way, sem mecanismos de retorno – a internet cumpre com mais facilidade e versatilidade com as prerrogativas da interação. Mas a TV cumprirá um papel importante, mantendo-nos informados e levando entretenimento até onde estivermos. Não estamos mais em função da televisão, ela é que passa a estar em função de cada um de nós. Digit-all. All places. All time.

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