O jornalista free-lancer Geoffrey James (www.geoffreyjames.com), que já publicou diversos artigos sobre tecnologia, marketing e negócios, entre outros assuntos, escreveu um excelente e bem embasado artigo (blogs.bnet.com/salesmachine/?p=1894) onde apregoa a morte de jornais e revistas convencionais, com base em seis argumentos que, à primeira leitura, soam convincentes:
1. O custo de movimentar papel desde a produção até o leitor é um tremendo desperdício de dinheiro, exceto quando não for a única maneira de fazer as informações chegarem.
2. Com a Internet, o conteúdo se amplia por links, tornando-se mais completo e realmente mais informativo, de forma perfeita e insuperável.
3. O conteúdo da Internet é participativo. O leitor interage com a informação, com os autores, com outros leitores que fazem comentários sobre elas e, assim, se torna parte do que está sendo informado.
4. O conteúdo da Internet é perene (enquanto o site permanecer ativo), permitindo acesso instantâneo e a qualquer tempo.
5. O conteúdo da Internet afeta infinitamente menos o meio-ambiente. Dispensa plantar e destruir milhões de árvores por ano para levar informações de um lado para o outro.
6. Toda a comunicação de marketing na Internet é mensurável, o que é extremamente relevante nestes tempos em que o ROI (Return on Investment) tornou-se tão importante.
Racionalmente, nada a questionar. Mas cabe fazer um paralelo entre o que ocorreu com o surgimento da televisão, quando vários gurus apregoavam a morte do cinema. Assistir a um filme na TV nem de longe traz o prazer de assistir ao mesmo filme no cinema. Da mesma forma, a leitura de uma revista, bem sentado no sofá da sala, é em muito mais prazerosa do que a leitura da mesma reportagem na internet.
O jornal sofre com a instantaneidade da informação da internet. A revista, que aborda seus assuntos com viés de maior profundidade, sofre menos, e assim como o cinema, dificilmente terá fim. Precisará, assim como o jornal, passar por uma revisão que torne seu conteúdo mais adequado a leituras em profundidade, ou tornar-se mais e mais segmentada, focando em nichos de mercado. A quantidade de títulos que temos no Brasil indica que este caminho já é trilhado.
Eu agradeço. Por mais portátil que seja um notebook ou até mesmo um kindle, há momentos em nosso dia-a-dia em que nada substitui uma boa revista. Se é que você me entende.

