A Meio & Mensagem de 25 de janeiro traz duas reportagens que, em uma primeira leitura, parecem contraditórias. Na página 19, uma reportagem da Advertising Age relata o conflito por que passam as operadoras de TV por assinatura e os fabricantes de equipamentos para entretenimento por demanda, tais como Samsung, Boxee e Apple TV, que trazem para a tela da sala de estar o conteúdo disponível na internet.
Em paralelo, produtos como Boxee trazem a internet para dentro do televisor, em um modelo semelhante ao que alguns videogames já vinham fazendo.
No centro da questão, está a disputa pela atenção do público. Há quem aposte que a TV por assinatura está com os dias contados, que você optará por assistir on line e sob demanda os programas de TV preferidos. Há quem aposte que você preferirá ter seu sistema de TV tradicional, com grade de horários, e o adicional de poder acessar a internet sem levantar do sofá.
Na mesma edição de Meio & Mensagem, na página 10, há uma pequena reportagem sobre uma pesquisa da Deloitte que reflete minha opinião. Segundo a pesquisa, a TV ainda será o cenário dominante por muitos e muitos anos. O público prefere, como creio, adaptar-se à grade de horários do que buscar o conteúdo sob demanda.
A pesquisa aponta, inclusive, que o acesso de conteúdo pela internet fortalece a audiência da TV por assinatura: ao encontrar, por exemplo, uma série interessante na internet, o público busca acompanhá-la na grade de programação. “Os usuários irão combinar sua televisão com equipamentos isolados para internet, como laptops, smartphones, mp4 e videogames”, aposta o relatório.
Eu concordo com os rumos apontados na pesquisa. Podem mudar os formatos – cabo, satélite, ondas de rádio ou até mesmo uso da rede elétrica. Mas o hábito de sentar no sofá em um determinado horário, em um dia certo da semana, para assistir a seu programa favorito, está longe de ser abandonado pelo público.
Longa vida à TV. Longa vida à internet. Onde muitos vêem conflitos, só consigo ver convivência.

