Milhões de minúsculas esferas. Metade pretas, metade brancas. Todas polarizadas, de modo que, submetidas à carga magnética adequada, criam, uma ao lado da outra, tons que vão do branco total ao preto absoluto, passando pelas mais sutis nuances de cinza. Este é o papel digital, base do tão comentado Kindle e diversos outros devices chamados de livros eletrônicos. A forma mais confortável de ler em meio eletrônico, com reflexão de luz como no papel tradicional, sem oscilações de frequência nem emissão de luz que cansam os olhos, como ocorre no monitor onde você me lê neste exato momento.
O funcionamento é simples: sinal wi-fi, que descarrega arquivos digitais contendo livros, jornais ou revistas completos; armazenados em memória flash e acionados por botões de comando simples e intuitivos, que permitem “virar” páginas, abrir e fechar arquivos de livros e memorizar a página onde você estava, como um marcador de páginas virtual. O Kindle, por exemplo, baixa o acervo da Amazon, por custos bem menores que os de compra de um livro físico.
Já é um sucesso. O grupo de pesquisa de tecnologia Forrester antecipa que cerca de três milhões de leitores eletrônicos sejam vendidos este ano nos Estados Unidos, ante uma base anterior de cerca de um milhão, com a ajuda de preços mais baixos, mais conteúdo e uma melhor distribuição, segundo o G1.
Um único device, toda uma biblioteca. E mais: revistas, informativos, jornais. O Globo, de forma pioneira, já está disponível para os usuários do Kindle, através da loja virtual Amazon. Outros virão rapidamente. Da mesma forma que outros meios de provimento e fabricantes de hardware.
O Google, talvez a maior empresa mundial do ramo hoje, anunciou na semana passada o lançamento do Google Edition para o primeiro semestre do ano que vem, oferecendo inicialmente cerca de meio milhão de livros, em parceria com editoras que já cooperam com a empresa e já licenciaram a ela seus direitos digitais.
Empresas como Fujitsu, Asus, Apple e outros fabricantes de hardware antecipam seus próprios livros eletrônicos em papel digital. A própria Barnes & Nobles, concorrente da Amazon, anuncia seu hardware com o mesmo objetivo do Kindle.
Sua biblioteca em breve vai fazer companhia a sua coleção de LPs, suas fitas VHS e seus negativos fotográficos. Objetos que você guarda com carinho. Mas não usa, em virtude da praticidade com que a tecnologia nos brinda.

