Fernando Canzian, repórter especial da Folha, é dono de um texto que beira a perfeição jornalística, ao ponto de conseguir, sob o guarda-chuvas de um tema, discorrer com brilhantismo sobre outros. É o caso do artigo que sugiro a leitura e a reflexão: “Jornais em crise? Ande de avião”, publicado em maio
(http://www1.folha.uol.com.br/folha/pensata/fernandocanzian/ult1470u567548.shtml).

O jornalista comenta o caso da queda de um avião em 12 de fevereiro em Buffalo, que foi alvo de profunda investigação dos periódicos “The New York Times” e o “The Wall Street Journal”. Em reportagens investigativas, os jornais denunciaram o excesso de trabalho, a remuneração aviltante e os fracos critérios de seleção de equipes de vôo nos EUA, que põe em risco a vida de seus usuários de modo irresponsável. Podemos imaginar que o mesmo ocorre no Brasil. Mas este não é o objeto desta postagem.

À esteira desta discussão, Canzian traz o assunto sobre o qual realmente pretendo me debruçar: a credibilidade dos jornais sérios, mesmo em suas edições online, versus a falta de credibilidade de grande parte do conteúdo disponível na internet.

O esforço por trás da informação de qualidade, que nos é fornecida por estes veículos, é abordado pelo articulista, que comenta sobre a crise por que passam os jornais impressos. E sobre como o Congresso Americano, sob a forma do Newspaper Preservaction Act, luta para que o meio jornal consiga manter-se lucrativo em tempos nos quais a informação está ao alcance de seus dedos. Mas especificamente, ao alcance do indicador, que clica no mouse.

Blogs, microblogs, wikis, de uma forma geral, disponibilizam farto conteúdo. Uma googlada (já virou até verbo) traz milhares de páginas sobre qualquer assunto que se queira conhecer. Mas mesmo com toda a informação disponível, o que se verifica nos EUA é o crescimento dos acessos a sites de jornais, mesmo que tenham conteúdo pago. Os jornais conquistam o leitor por disponibilizar não apenas informação, mas informação de qualidade. Resultado de um jornalismo investigativo, que tem sob seus auspícios milhares de jornalistas dispostos a chegar ao fundo dos assuntos, de nutrir a sociedade com informação pesquisada, verificada, de alta credibilidade. Resultado da manutenção de uma equipe de jornalistas competentes, qualificados, que consome recursos para muito além daqueles que a internet tem demonstrado ser capaz de fornecer. Falta aos veículos digitais a densidade econômica de uma operação sólida, calcada no tripé publicidade + assinaturas + venda de exemplares.

Portanto, posso antever que o futuro trará não a morte do jornal, mas sua reinvenção. Como vai ficar? Não sei, mas estarei atento! Por via das dúvidas, não custa ler “NY Times dura pelo menos até 2012”, na revista M&M de 06/julho/2009, que você pode baixar neste em http://200.198.118.131/clipping/Arquivo/2009/Julho/19692.pdf